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A História da Gaita

Praticamente todos os sites que falam sobre a história da gaita citam o SHENG, instrumento chinês, cujo nome tem o significado de “vozsublime” e teria sido inventado por um imperador chinês, de nome Huang-Ti, porém, muitos detalhes estão suprimidos ou errados. Após uma pesquisa minuciosa que durou décadas, chegamos aos fatos. Veja a seguir a história contada resumidamente: O instrumento conhecido como Jaw Harp (harpa de mandíbula) é originário da Ásia e possui características peculiares, entre elas: a peça principal que é responsável pela produção sonora é uma “palheta” (uma pequena lingueta que vibra pela ação do ar);

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produz som em contato com a respiração quando sopramos ou aspiramos; foi fabricada inicialmente com lascas de bambu, evoluindo para o metal;

há resquícios do instrumento datados de milhares de anos atrás, perdendo apenas para a flauta neandertal composta de osso de fêmur de urso, com 60.000 anos de existência (https://www.nms.si/en/collections/highlights/343-Neanderthal-flute);

A HULUSI, uma flauta também de origem chinesa, utiliza o mesmo mecanismo da Jaw Harp, porém, a palheta é presa em um canudo de bambú que é inserido em uma cabaça. A ação do ar também movimenta a palheta quando sopramos ou aspiramos;

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O SHENG foi o instrumento inventado por Ling Lung, ministro da música do imperador da China Huang-Ti, conhecido como o “Imperador Amarelo”, que reinou de 2697 a.C. a 2597 a.C., ou seja, quase 5.000 anos atrás.

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A ideia de Huang-Ti foi pedir para Ling Lung inventar o instrumento que tivesse um “som sublime” e que imitasse o canto da Fênix. Como sabemos, a Fênix é uma ave mitológica, o que nos leva a crer que a referência era a de inventar um instrumento que tivesse um som inimaginável, incomparável. Ling Lung, como uma grande estudioso e experimentador, que já havia inventado e fabricado diversos instrumentos musicais, criou o SHENG a partir do mecanismo de palhetas contido no ancestral Jaw Harp: com cinco canos de bambú, cada um com sua palheta respectiva, inseridos em um recipiente (alguns registros citam a cabaça, outros citam o casco de cavalo), produziam as cinco notas da escala chinesa;

Johann Buschmann começou a consertar instrumentos musicais e em 1816 desenvolveu o “Urânion” mais tarde chamado de “Terpodion” - um instrumento de fricção tocado com um teclado parecido com um piano, baseado no mesmo princípio da “Glass Harmônica”. A partir de 1819, Johann levou seu filho Christian Friedrich Ludwig Buschmann com ele em suas viagens frequentes. Em Vörde, perto de Barmen (Alemanha), e em turnê com seu pai em 1828, Friedrich construiu um instrumento, originalmente destinado apenas para uso como instrumento de acompanhamento, que inicialmente consistia em 21 palhetas diferentes de metal presas a um bloco de madeira de tal forma que era possível soprar as palhetas individualmente. Ele prendeu as palhetas dentro de uma pequena caixa cúbica com 4 polegadas de cada lado, cada uma das quais poderia ser feita para vibrar soprando através de 21 "câmaras de tom" individuais (Tonlochkanzellen). Este instrumento ele chamou de “Aeroline”.

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As primeiras experiências podem ter ocorrido em 1824, quando foi afirmado que Buschmann construiu um auxiliar de ajuste chamado aura, com cerca de 4 polegadas de comprimento e equipado com 15 línguas de palheta (o nome Aura também era usado em alemão para significar uma harpa de mandíbula). 

Mas nenhuma evidência escrita pode ser encontrada para apoiar isso. Ainda em Rinteln, nas cartas de Buschmann a seu sol Eduard, parece que Friedrich construiu uma versão maior de um “Aeroline” em 1829, com fole e teclado de piano de duas oitavas, que, sendo do tamanho de uma pequena escrivaninha, ainda era muito menor do que qualquer instrumento de chave fixa comparável que eles construíram anteriormente. É certo que eles devem ter ficado cientes de todos os tipos de desenvolvimentos modernos nesta área enquanto viajavam por diferentes países, o que contribuiu para o refinamento da fisarmônica por Friedrich. Os Buschmanns sabiam de um instrumento construído nessa época por Johann Caspar Schlimbach, um fabricante de instrumentos formado em Viena, e seu primo Bernhard Eschenbach em Königshofen, na Baviera: era uma espécie de piano movido a ar. Schlimbach não fez nenhuma tentativa de proteger sua invenção, mas mostrou livremente o instrumento a todos que queriam vê-lo, com o resultado inevitável de que várias pessoas patentearam instrumentos muito semelhantes em Viena. De fato, o pai de Buschmann, Johann, escreveu em uma carta de 30 de outubro de 1829 que estava pensando em patentear o novo instrumento na Baviera. Em 1833, Friedrich Buschmann casou-se com Sophie Volkmar. Seu irmão Gustav Hermann Joseph Philipp Volkmar foi um conhecido teórico da música na Alemanha e mais tarde na Suíça. A família e seu pai Adam Valentin Volkmar viveram em Rinteln de 1917 em diante. Friedrich e Sophie mudaram-se para Hamburgo, onde ele abriu uma nova oficina própria. Lá ele fez principalmente “Fisharmônicas”, instrumentos de sopro operados por fole, cada um dos quais também tinha um grande teclado manual. Por uma fisarmônica com terpódio embutido, ele ganhou a Grande Medalha de Ouro na Exposição de Artes e Ofícios de Hamburgo de 1838. Terpódios, afinadores e pianofortes também foram construídos. Morreu em Hamburgo em 1864. Existe uma lenda persistente de que Buschmann inventou a gaita (e o acordeão), mas isso não pode ser comprovado. Buschmann afirma em uma carta de 1828 que acabara de inventar um novo instrumento, mas a fabricação de gaitas havia começado alguns anos antes em Viena: "Há evidências documentais de que as gaitas estavam sendo vendidas em Viena em 1825. Tampouco, em sua história familiar impressionantemente bem documentada, Buschmann foi capaz de confirmar a história.

(https://en.wikipedia.org/wiki/Christian_Friedrich_Ludwig_Buschmann)

O relojoeiro Matthias Hohner começou a fabricar gaitas diatônicas em 1857, auxiliado por sua esposa e um único funcionário. 650 foram feitos no primeiro ano. 

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As gaitas Hohner rapidamente se tornaram populares, e em sua vida Matthias construiu a maior fábrica de gaitas do mundo. Durante a Guerra Civil Americana, Matthias Hohner distribuiu gaitas para familiares nos Estados Unidos, que por sua vez as deram aos soldados. Na década de 1920, Hohner começou a fabricar gaitas cromáticas, que, ao contrário da forma diatônica "padrão", podem ser tocadas em qualquer tom. 

O famoso harmonicista Borrah Minevitch afirmou que vendeu seu projeto para a gaita cromática para Hohner. A sede da empresa em Trossingen, na Alemanha

(https://en.wikipedia.org/wiki/Hohner); · Importante ressaltar que Hohner era relojoeiro e que, na época de Buschmann e de Honner, a relojoaria era a arte de maior precisão de ferramental em pequenas proporções (por isso a facilidade nas minúcias de confecção) e que as palhetas (linguetas) presentes desde o Jaw Harp de bambú, foram confeccionadas por eles a partir das antigas molas de relógio, que comumente usavam o termo “dar corda” nos relógios. O mecanismo era simples: uma espiral de metal que era comprimida através do movimento giratório de uma chave que, ao soltá-la, tendia a voltar ao seu estado de expansão original, fazendo movimentar o mecanismo ligado a ela. Buschmann e Hohner utilizaram essas espirais para cortar em pequenos pedaços de tamanhos diferentes para confeccionar suas palhetas ;

Em 04 de Agosto de 1923, o industrial Max Alfred Hering e mais quatro operários iniciaram as atividades da fábrica de gaitas Alfred Hering S.A. com maquinário proveniente da Alemanha. Max Alfred Hering nasceu em 4 de julho de 1875, em Hartha, Kreis Döbeln, Saxônia, Alemanha. Seu pai, Friedrich Hermann Hering, sua mãe, Anna Minna Foerster. Ele se casou com Klara Kleine em 1º de agosto de 1898, em Blumenau, Santa Catarina, Brasil. Eles eram pais de pelo menos 1 filho e 2 filhas. Faleceu em 23 de janeiro de 1967, em Blumenau, Santa Catarina, Brasil, aos 91 anos de idade, e foi sepultado em Blumenau, Santa Catarina, Brasil.

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Na década de 40 começou a exportação dos seus produtos, entre eles uma harmônica com o nome “The Verity” encomendada pelo exército americano. No início da década de 1960 a Hohner comprou a fábrica de harmônicas Hering e se manteve no Brasil até o fim da década de 1970. Durante este período ampliou-se o mercado da Hering principalmente com exportações para os Estados Unidos.

Com a saída da Hohner do Brasil, diversos grupos passaram a ter o seu controle acionário até que em 1996 novos investidores assumiram a produção das Harmônicas Hering adquirindo o maquinário, ferramental e principalmente mantendo os principais colaboradores com larga experiência na produção destes instrumentos musicais.

Em 2017 a fábrica foi comprada pela SHG Indústria e Comércio de Instrumentos Musicais LTDA, o qual o proprietário, o Blumenauense Sr. HORST SCHREIBERfoi responsável pela ferramentaria das gaitas Hering durante ao menos vinte e sete anos. Com a experiência de 45 anos na fabricação dos instrumentos, Schreiber conta com a maioria dos antigosfuncionários e um time de músicos qualificados para fazer uma peça de altíssima qualidade.

· Ao ser produzida em grande escala na segunda metade do século XIX, o nome “Mundharmonika” ficou mundialmente conhecido, ou seja, o nome deste instrumento é “HARMÔNICA DE BOCA”. O termo “GAITA” acabou sendo inserido e associado ao instrumento por conta de suas “PALHETAS”. Veja: De acordo com Joan Corominas, viria do gótico “GAITS” (goat, cabra) - em muitas regiões distintas o instrumento foi batizado simplesmente com o termo que designa o animal do qual se extrai o couro para sua bolsa: ghaida, gaida, gajdy, cabra, etc., mas outros filólogos discordam dessa teoria, defendendo a hipótese de ser uma palavra de origem árabe, já que em árabe “ALGHAYTAH” significa “PALHETA”;

 

· Pela proximidade com a “GAITA DE FOLES”, a “HARMÔNICA DE BOCA” começou a ser chamada também de gaita, por conter palhetas similares. A palavra “FOLE” tem origem no latim “FOLLIS” (bolsa, almofada de vento). Podemos traduzir o termo “GAITA DE FOLES” como “bolsa de cabra”, referência direta ao fole do instrumento, se pensarmos na origem gótica e “bolsa com palhetas”, se pensarmos na origem árabe da palavra “GHAYTAH”;

· Em diferentes regiões o instrumento leva um nome associado à sua cultura. No nordeste brasileiro a “HARMÔNICA DE BOCA” é conhecida por “REALEJO”, em algumas localidades. Já no sul do país, o termo “GAITA” refere-se ao “ACORDEOM” (accordion), que também é conhecido como “SANFONA” em outros estados. Nos Estados Unidos é frequente utilizarem-se do termo “BLUES HARP” para a gaita diatônica utilizada no blues, que mais se refere à forma de tocá-la do que propriamente o instrumento. Instrumentistas que se utilizam da gaita diatônica somente a chamam de “BLUES HARP” se fazem determinadas escalas, frases e efeitos próprios do instrumento, enquanto os demais que executam temas folclóricos (folks) e populares, se utilizam do termo simples: “HARMONICA”.

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